‘Muitas mães se sentem culpadas pelo que aconteceu’, diz tia de vítima

PEDRO FERREIRA

A dor não tem fim na tragédia de Janaúba, no Norte de Minas, e mais uma vítima morreu na madrugada desta segunda-feira no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte. Agora, já são 11 mortes, sendo nove crianças, uma professora e o vigia que provocou a tragédia ao atear fogo no próprio corpo e nos alunos da Creche Gente Inocente, na quinta-feira da semana passada. O garoto Matheus Felipe Rocha Santos, de 5 anos, teve 50% do corpo queimado e não resistiu e morreu.

A reportagem esteve com o pai do garoto, o eletricista Valdemar Rocha, de 35, mas ele disse estar tão desolado que não tinha forças nem para falar. A tia do garoto, a dona de casa Adelaide Sena de Jesus, de 39, disse considerar o sobrinho um guerreiro por ele ter resistido e lutado pela vida durante quatro dias. A família tinha esperança de que ele fosse sobreviver e voltar para casa, segundo ela.

“Matheus foi muito guerreiro, pois ficou quatro dias lutando pela vidinha dele, mas não resistiu. Mas, ele mostrou para os pais que ele é um guerreiro” disse Adelaide.

A tia conta que estavam na casa de apoio que abrigou a família, no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, e receberam um telefonema do HPS às 2h20 da madrugada, solicitando a presença da família com urgência no hospital, mas sem adiantar o assunto.

“ Foi um choque muito grande receber a notícia da morte dele. A gente esperava que ele fosse sobreviver e voltar para casa com a gente”, reforçou a tia.

Para a dona de casa, a esperança continua para parentes de outras crianças e de duas funcionárias da creche que continuam internadas. “Tem outras crianças nos hospitais e muitos pais esperando seus filhos para voltarem para casa. A alegria dos pais agora é ter seus filhos de volta. Uns perderam o único filho. Na creche, havia dois gêmeos e a menina morreu” , lamenta Adelaide.

A dona de casa conta que sua cunhada, Valdirene Santos, de 38, mãe de Matheus, não se conforma com a perda do filho e está se culpado o tempo todo pela morte dele, mesmo estando a criança sob a responsabilidade da creche na hora da tragédia.

“Não é só ela, mas muitas mães se sentem culpadas pelo que aconteceu, achando que foi um descuido delas, mas não é culpa delas. É o direito de todos colocar as crianças na escolinha”, disse a tia de Matheus.

“Todos foram vítimas do que aconteceu. Não foi culpa de ninguém”, reforçou a dona de casa.

No sábado (7), a reportagem conversou com o pai de Mateus. Ele estava com esperanças de voltar com o filho para casa e que tinha muitas coisas para dizer a ele.

“Quero falar que eu o amo muito. Quero abraçar ele muito”, disse o pai, no sábado. “Matheus está indo muito bem, graças a Deus. Não está conversando ainda. Está entubado e com os olhos fechados. O que eu mais quero agora é o meu filho com vida de saúde”, havia comentado o pai.

O motorista voluntário da casa de apoio, Henrique Antônio Vieira, de 52, conta que levou a família para o HPS e que no caminho o pai já estava prevendo o pior e entrou em desespero.

“O pai já foi para o hospital sofrendo muito. Ele estava ao meu lado no carro, muito apreensivo, com uma expressão muito forte, mas negativa. Estava com um pressentimento muito forte de que o filho já estava morto. Ele ficou em estado de choque com a perda do filho, muito revoltado com a atitude do vigia que cometeu esse crime horroroso”, conta o motorista.

No HPS, a notícia da morte foi dada por uma médica e uma assistente social.

“O pai ficou muito, muito, muito, mas muito arrasado, mesmo. Ele e a esposa. Mas parece que ele tinha uma relação muito forte com Matheus. Ele ficou inconformado. Nós tentamos acalmá-lo, confortá-lo na medida do possível, mas ele estava sofrendo muito, como está sofrendo todo mundo envolvido nessa história”, comentou o motorista.

Os pais de Matheus seguiram para Janaúba no início da tarde desta segunda-feira (9). Eles permaneceram por duas horas no Instituto Médico Legal (IML) e deixaram a tia aguardando pela liberação do corpo.

matheus

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