Três pessoas morrem em queda de avião no bairro Minaslândia

Três pessoas morreram na queda de uma avião bimotor na rua São Sebastião, no bairro Minaslândia, região Norte de Belo Horizonte, na tarde deste domingo (7). De acordo com o Corpo de Bombeiros, todos os mortos estavam no avião. A princípio, o sargento Juarez de Paula, do 13º Batalhão da Polícia Militar, disse que seriam quatro mortos, no entanto, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil depois confirmaram três mortes.

Uma das vítimas era Gustavo Toledo, de 38 anos, que é membro da Polícia Civil. Segundo o coordenador do Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Civil, Ramon Sandoli, a corporação vai instaurar inquérito para investigar a queda do veículo. Sandoli disse à reportagem que Toledo era um ótimo policial e trabalhava no hangar da polícia no plantão patrimonial.

O outro tripulante do avião é Emerson Tomazine de 43 anos, natural de São Paulo. A polícia ainda não sabe se era ele ou Toledo que pilotava o avião no momento do acidente. Já o terceiro tripulante foi identificado como Carlos Eduardo de Abreu, que não teve a idade divulgada.

Os três corpos já foram localizados e encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML). O coronel da Aeronáutica, Francisco Donizette, esteve no local do acidente e informou que o órgão tem até 90 dias para dar um parecer sobre a queda da aeronave.

Na rua onde houve o acidente, três casas foram totalmente interditadas pela Defesa Civil e uma parcialmente interditada, todas por causa do risco de desabamento.

Empresário era dono de avião 

O avião pertencia a Ricardo Tavares, empresário e fundador da holding Montesanto Tavares (que detém nove empresas em nove municípios e é ex-dona das marcas Café Três Corações e Suco Mais, dentre outras). O empresário não estava dentro da aeronave – ele seria buscado pelo veículo em sua fazenda em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha.
Segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos), o veículo estava a serviço da Atlântica Exportação e Importação. A empresa informa, em seu site, que é uma das dez maiores exportadoras de café em grão verde do Brasil. Na noite deste domingo (7)  técnicos do Seripa III (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos) se deslocavam do Rio de Janeiro para Minas Gerais para assumir a investigação das causas do acidente.
Parentes das vítimas

Familiares das vítimas chegaram ao local do acidente no início da noite. A mulher do piloto não quis falar sobre o acidente. Já o filho de Ricardo Tavares, identificado  apenas como Leonardo, confirmou que a aeronave é da família. Ele disse apenas que o veículo estava regularizado e não quis dar mais informações.

Um funcionário do hangar de onde o avião decolou contou que o veículo iria primeiro a Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, onde ele ia deixar o tripulante, e só depois seguiria para Capelinha.

A moradora da casa atingida, com cerca de 45 anos e não identificada, ficou ferida e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel (SAMU) para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, sem ferimentos graves. Na residência mora um casal e, no momento do acidente, o homem conseguiu sair e não ficou ferido. A mulher se queimou com o fogo do avião. O veículo caiu na garagem da residência e atingiu parte da cozinha, provocando dois focos de incêndio, que foram apagados.

A retirada dos corpos começou por volta das 18h30 deste domingo. Familiares e amigos das vítimas acompanham os trabalhos.

Testemunhas

De acordo com o sargento Juarez de Paula, do 13º Batalhão, os mortos do avião foram carbonizados. Ele conta que uma viatura fazia patrulhamento pela avenida Cristiano Machado quando viu o o avião manobrando e logo em seguida viu ele caindo. Os militares seguiram a fumaça e foram até o local do acidente.

O morador de uma das residências interditadas, José Mafort Knupp, de 73 anos, contou que estava no quintal de casa quando viu o avião vindo na direção da sua casa. Ele chamou a mulher que estava em casa e o enteado e eles deixaram o local. Depois da queda, eles ainda tiraram um botijão de gás que estava na residência com medo de explosão. Eles mesmos começaram a apagar o fogo com a ajuda de vizinhos.

Um morador próximo à residência atingida contou que o avião começou a perder força e, ao invés de subir, começou a cair. “Parece que o piloto ainda tentou fazer alguma manobra, porque ele virou o avião, mas logo depois ele caiu”, contou Isac Alves, de 21 anos.

O pintor Nelson da Paz, 51, estava de moto na esquina onde aconteceu o acidente quando viu que o avião começou a descer em parafuso e caiu fazendo um barulho muito forte. Logo em seguida veio a fumaça preta. Morador do bairro há 48 anos, ele conta que já é a terceira aeronave que cai lá. Como no último caso, ele também se dispôs a socorrer as vítimas desta vez. “Os vizinhos quebraram o muro no fundo do imóvel onde o avião caiu para entrar, mas as labaredas começaram a crescer”, disse.

Acidente perto de quadra cheia

Uma mulher foi socorrida por esse acesso improvisado. O estudante Holiver Matos, 18, contou que o filho dela, Charles, estava na quadra ao lado jogando bola com ele e se desesperou quando viu o avião na sua casa. “Ele saiu correndo gritando pela mãe”.

Várias pessoas estavam nessa quadra, que é um espaço de convivência da prefeitura. Muitos gritaram e correram quando avistaram a aeronave. “Parecia que o avião ia cair em nossa direção, ele estava fazendo manobras”, narrou a estudante Ana Clara Alves, 16.

Avião em situação regular

De acordo com a assessoria de imprensa dos Bombeiros, o avião teria acabado de decolar da Pampulha quando caiu. Ainda segundo os Bombeiros, a casa ficou em chamas e a Defesa Civil Municipal foi chamada para avaliar a situação da residência. Uma equipe da Infraero também está no local do acidente. A reportagem não conseguiu contato com a Infraero.

Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião estava com a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) e o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) regularizados. O IAM valia até 2016 e o CA até 2020. De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), o avião era um BE-90 King Air, com matrícula PR-AVG e tinha capacidade para tripular com até sete pessoas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de agosto do ano passado até este domingo (7) foram sete pousos forçados de aviões de pequeno porte e esse é o primeiro com vítimas fatais.

aviao2

Deixe seu comentário

Assinatura

Publicidade

Enquete

Gostando do site?

View Results

Loading ... Loading ...

Sobre nós:

Editora Jornal Cidades LTDA/ME é uma micro empresa que edita o Jornal Cidades (JC) há 15 anos no mercado. O Cidades é um jornal periódico decenário com ampla circulação nas cidades de Belo Horizonte, Betim, Contagem ( circulação restrita ainda) Igarapé, São Joaquim de Bicas, Jaboticatubas e São José do Almeida, todas na RMBH. Possuí equipe de reportagem, colunistas sociais, e colunismo político. Professa quando se faz necessário jornalismo investigativo e tem como pilar mestre defesa do meio ambiente, da vida, da fauna e flora. Seu fundador é o Diretor Marco Tulio Chiabi C. e Silva e o atual presidente do Jornal Cidades é Leonardo Chiabi.