‘Abraçaço’ marca nova luta pelo Hospital da Oncomed BH

 

Além da sensação de conforto e de proteção, e, claro, os inúmeros benefícios tanto psicológicos quanto físicos já comprovados cientificamente, um simples abraço pode representar muito mais que união.

E comprovando que o gesto, apesar de sutil, é motivo de luta, na manhã deste sábado (29), cerca de 400 pessoas, se abraçaram em frente ao antigo hospital Hilton Rocha, no bairro Mangabeiras, região Centro Sul de Belo Horizonte, com o objetivo de fortalecer a causa do Hospital da Oncomed, que luta na justiça há seis anos para a construção de 220 leitos de oncologia, cardiologia e oftalmologia. Desde 2009 a unidade enfrenta resistências burocráticas para a construção do centro.

Representante dos 13 mil pacientes que deixam de ser internados anualmente com a construção do hospital, mesmo com todas as dificuldades, o aposentado Aloysio Lima, 91, fez questão de ir com a família pedir mais sensibilidade ao poder público. Há seis meses, ele descobriu um câncer no fígado. “Apesar de já ter passado muita coisa nessa vida, é por saber que ainda tenho muito coisa para viver que faço questão de lutar por mais condições, para todos que possam precisar de um tratamento de qualidade. Só quem tem a doença ou convive de perto sabe da importância”, afirmou.
Por entender bem o sofrimento de Lima, a administradora Maria Luiza de Oliveira é uma das inspirações para quem convive com a doença diariamente. Depois de descobrir um câncer de mama aos 27 anos, ela agora tenta passar confiança para um grupo de 220 mulheres com a doença, batizado de Pérolas de Minas. “É um absurdo que as pessoas sejam contra o hospital. Fico pensando se isso não é uma vaidade. As pessoas podem ficar tranquilas, que câncer não é transmitido pelo ar. Só espero que quem não é a favor ao centro aqui, nunca precise vir”, desabafou.

Quem também foi apoiar a causa, foi o cantor Flávio Renegado. “Felizmente, nunca tive um caso de câncer na família ou presenciei de perto, mas eu não preciso passar pela situação para saber a importância do projeto. Basta ser sensível e humano para entender”, ressaltou.

De acordo com o diretor da Oncomed-BH, Roberto Fonseca, o hospital vai oferecer acompanhamento integral, possibilitando ao paciente fazer o tratamento perto dos familiares sem precisar sair para outros estados. “Existe um déficit de leitos na cidade, tanto na saúde pública quanto na saúde suplementar. O nosso objetivo é suprir essa demanda, proporcionando um atendimento de alto nível”, destacou.

Obra não causará danos à serra

Durante seis anos, foram vários trâmites legais e reformulações de projetos para que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) liberasse o início das obras no imóvel do antigo hospital Hilton Rocha, na encosta da serra do Curral, no bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital. No entanto, em outubro deste ano, a construção do moderno centro de tratamento de câncer foi embargada pela Justiça.

Isso porque os Ministérios Públicos Federal e de Minas Gerais conseguiram uma liminar que proíbe a Oncomed, empresa proprietária do prédio, de realizar qualquer intervenção no local. A justificativa é de a área é tombada pelo Patrimônio. Na ação, os MPs sustentam que a própria construção do hospital Hilton Rocha, inaugurado na década de 70, não deveria ter ocorrido, uma vez que a área já era protegida.

A Oncomed, no entanto, afirma que as obras foram amplamente discutidas com os órgãos responsáveis. “Temos todas as autorizações. O projeto não tem qualquer irregularidade, foi avaliado e aprovado pelos orgãos competentes”, destacou o diretor da Oncomed-BH, Rodrigo Fonseca.

A arquiteta responsável pelo projeto hospitalar Adriana Mazzieiro disse ainda que as intervenções não vão agredir ou modificar a serra do Curral. “O projeto tem a mesma altura do prédio existente, ou seja, não há qualquer acréscimo da altimetria do prédio. Iremos ampliar apenas na horizontal. O que faremos é substituir metros quadrados antigos por construções novas. Estamos prevendo ainda a recuperação da área com a vegetação natural da montanha. Não haverá prejuízo da fauna e flora”, explicou a arquiteta.

Moradores se preocupam com mudança

Moradores do bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da capital, temem que o funcionamento de um centro preventivo e tratamento de doenças neoplásicas possam causar impactos na região e na serra do Curral.

“O empreendimento está em uma área de preservação ambiental e tombada pelo patrimônio, por isso tememos que os danos da construção afete drasticamente ao meio ambiente”, destacou o presidente da Associação dos Moradores do Bairro Mangabeiras, Rodrigo Bedran.

bh

 

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